sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Inovação e Espírito Empreendedor - Peter Drucker


Alunos da disciplina EMN006 Inovação e Espírito Empreendedor 2012/2

A globalização causa um maior e mais rápido fluxo de informações, pessoas e produtos, resultando em um aumento da concorrência entre as empresas e na diminuição do ciclo de vida dos produtos. O livro “Inovação e Espírito Empreendedor”, de Peter Drucker, aborda a dinâmica da inovação nos meios corporativos, e ensina a conviver com ela e despertar por meio de técnicas e dados, o espírito de mudança.

A inovação é caracterizada pela mudança dos valores e da satisfação do consumidor, através da transformação de novos recursos em benefícios. Para coloca-la em pratica, não basta apenas ter a ideia, é necessária uma sistematização e um estudo para prever quais serão os riscos e os resultados. Esta previsão servirá para que se possa maximizar os bons resultados e minimizar os riscos.

Drucker apresenta a origem da inovação, mapeando as sete fontes principais que são perceptíveis internamente e externamente numa organização. As perceptíveis internamente são: i) inesperado: o sucesso e o fracasso acontecem através de uma análise de risco; ii) incongruência: você sabe o que oferecer no futuro mas não sabe como chegar lá; iii) necessidade de processo: você sabe que o processo é falho mas a solução é desconhecida; iv) mudanças no setor: crescimento, amadurecimento etc. E as perceptíveis externamente são: i) demográfica: mudança da dinâmica populacional; ii) percepção, disposição e significado: atender uma demanda real; iii) conhecimento novo: oportunidades futuras.

Segundo o autor, as empresas precisam inovar para se manter no mercado, mas devem ser cautelosas, de modo a tentar eliminar ou minimizar os riscos da inovação. Drucker aborda as diretrizes empreendedoras, nas quais as empresas devem abandonar tudo que estiver desgastado, obsoleto e improdutivo, além de fazer uma análise de toda a empresa para se ter as informações necessárias para identificar as oportunidades de inovação. Ele ainda afirma que o foco da alta administração em oportunidades é essencial para a prosperidade do negócio. 

Como o processo de inovação é complexo, Drucker dá dicas para a implementação do mesmo: enfoque no mercado (satisfação dos clientes), planejamento financeiro (prioridade de investimentos) e mapeamento de processos (crescimento ordenado).

Para que a empresa tenha sucesso, o empreendedor deverá ter uma visão sistêmica da sua empresa e do mercado que ela está inserida, bem como deverá usar uma estratégia empreendedora. Drucker cita algumas dessas estratégias, como: i) com tudo e pra valer: é necessário atingir o alvo; ou a empresa vive ou morre; ii) golpeá-los onde não estão: exploração de nichos de mercado diferentes dos concorrentes; iii) judô empreendedor: atacar o concorrente no seu ponto fraco; iv) nichos ecológicos: conseguir o monopólio em uma área específica e; v) mudança de valores e características: atender aos desejos dos clientes, fixar preço, adaptar às realidades econômicas, e procurar o verdadeiro valor do consumidor.

O livro “Inovação e Espírito Empreendedor” nos passa a mensagem que cada vez mais precisamos de uma sociedade empreendedora, na qual os empreendimentos sejam normais, estáveis e contínuos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A selva semântica no campo da gestão


O nome de algo, quando dissociado do seu conteúdo, pode causar grande confusão na comunicação. Veremos, a seguir, algumas dessas confusões no campo da gestão.

Tivemos a tão aclamada e, depois, repudiada, administração científica; mas, poderia a administração ignorar o método científico numa formatação conveniente ao contexto? Ele foi  popularizado pelos japoneses por meio de uma versão instrumental sintetizada na sigla PDCA.

Tivemos o surto da administração por objetivos; mas, poderia alguma administração ignorar objetivos?  Fala-se, hoje, em Gestão pelas Diretrizes, Gerenciamento para Resultados e Balanced Score Card que, no fundo, significam a mesma coisa.

A administração, dizem alguns, deve ser contingencial, isto é, deve levar em consideração os elementos únicos da situação. Ora, como poderíamos gerenciar negócios e resolver problemas ignorando as contingências?

A administração deve fundar-se nas relações humanas. Está certo; mas,  poderia ser diferente sem  se desprezar o bom senso?

Diz outra linha: - é preciso aplicar a teoria sócio-técnica. Se as organizações fundam-se na tecnologia e nas pessoas, não seria racional que as teorias fossem sócio-técnicas, sempre?

A qualidade de tudo deve ser buscada por todos, para todos, com uso produtivo dos recursos; isto é, deve-se buscar a Qualidade Total. Há como fugir dessa tendência sem tornar-se socialmente irresponsável e obter o repúdio da sociedade?

A administração deve ser estratégica, levando as organizações a  posicionarem-se em função de escolhas racionais quanto à sua forma de contribuir para a sociedade. Como justificar outro tipo de administração?

Devemos cuidar do empreendedorismo, e não apenas de administração dos empreendimentos existentes. Está certo, mas não se deve incentivar a atitude empreendedora sempre, até como condição para a perpetuação do negócio?

Já passou a era da qualidade, dizem, estamos na era da inovação. Não deveríamos estimular sempre a dedicação de uma parcela de nossas atividades à inovação?

Estratégia Seis Sigma é a onda do momento. Façamo-la. Mas o que é isso? Não foi essa a estratégia buscada com entusiasmo pelos japoneses desde 1950?

Devemos criar o futuro. Sim, mas há algum mágico capaz de criar o futuro, a não ser quando acredita na inovação e corre os riscos, como sempre ocorreu na história da humanidade?

Enfim, o que interessa mesmo é realização do potencial humano disponível, atuando sobre os recursos naturais existentes.  Suar a camisa para dominar a dinâmica do conhecimento, compartilhando emoção e  linguagem, é a solução genérica geradora de soluções específicas. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Apresentação sumária da GDC

A Gestão da Dinâmica do Conhecimento não é um conceito que alguém tenha criado. Ela sempre existiu, intuitivamente, onde quer que tenha havido busca consciente do conhecimento produtivo. A minha contribuição especifica é dar-lhe um formato de fácil comunicação, aprovado pelo público ao qual tive acesso: estudantes de engenharia, professores universitários, profissionais especialistas de vários assuntos, gerentes de empresas, entre outros.

Eu me reporto à GDC da linha dos que a procuraram desenvolver conscientemente, de forma documentada, visando ao estabelecimento de um método de valor universal, aplicável, mediante ajustes, a quaisquer circunstâncias particulares. Ressalto, nessa linha de pensamento, a contribuição de: Descartes, Francis Bacon,  Galileu Galilei, Newton e Einstein, entre os que a pensaram na filosofia e na ciência.

Em termos de sua aplicação na produção de bens e serviços, sigo a linha de Taylor, Sistema Toyta de Produção, e outros pioneiros, como Feigenbaum, Deming e Juran, além de organanizações como a General Eletric e a Apple. Entre os formuladores de sistemas de gestão destacam-se, por exemplo, a  JUSE - Associação dos Cientistas e Engenheiros Japoneses e a Toyota Motors.

Reconheço que qualquer organização humana bem sucedida no atingimento dos seus resultados são exemplos para se pesquisar a GDC, não interessando o nome que dão aos seus sistemas de gestão. O importante é partir do núcleo básico de geração de conhecimento, e representá-lo da melhor forma possível. Esse roteiro precisa ser de fácil comunicação, e ter natureza universal, além de contextualizável para situações particulares.

A GDC que procurei representar parte, pois, do método científico, e leva em consideração que toda pessoa apta a trabalhar pode e deve ser apresentada ao método, na forma como pode compreendê-lo, individualmente e em equipe. A GDC assim concebida é apropriada, pois, a qualquer atividade humana intencionalmente conduzida como, por exemplo, o processo de ensino-aprendizagem nos sistemas formais de educação.

Apliquei a GDC como coordenador do Curso de Engenharia de Produção da UFMG, e como professor de diversas disciplinas lecionadas nos Cursos de Engenharia da UFMG. Em especial, concentrei esforços para aplicá-la nas disciplinas que lecionei no Curso de Engenharia de Produção da UFMG e, atualmente, no Curso de Engenharia de Minas da UFMG.

Creio, portanto, estar apenas representando, de uma maneira simples, um conceito que pode ser verificado experimentalmente por qualquer pessoa capaz de refletir sobre suas experiências: em casa, no trabalho e na escola. Compartilhei o conceito com muitas pessoas, de diversas especialidades, antes de torná-lo público.

Espero que você, caro leitor, possa ajudar-me a avaliar a aplicabilidade do conceito apresentado. A intenção é que ele seja útil para acelerar a formação do cidadão produtivo brasileiro, em larga escala!

sábado, 11 de agosto de 2012

Exemplo de excelência em comunicão visual

Desafiei meus alunos da disciplina Gestão da Dinâmica do Conhecimento a elaborar uma apresentação da mineração sob a perspectiva do Engenheiro de Minas. O resultado está aqui. Dei nota 100 para eles, pelo simples fato de não existir nota maior.

Parabéns jovens brilhantes!

sábado, 9 de junho de 2012

Satisfaz quanto ao QCAMS?

A GDC - Gestão da Dinâmica do Conhecimento - começa sempre pelo diagnóstico para encontrar as oportunidades de ação. Isso implica a necessidade de indicadores que, por sua vez, devem começar pelos mais gerais, tendo em vista a sustentabilidade, de forma equilibrada. O QCAMS são o conjunto de indicadores genéricos propostos pelos japoneses no seu TQC/TQM e, em princípio, são suficientes para abranger todos os aspectos relevantes à pergunta mais importante da GDC:  "Satisfaz?".

A satisfação quanto ao QCAMS atende ao critério da busca da "qualidade total", à qual se dá hoje o nome de sustentabilidade. Q, de qualidade do produto; C, de Custo, cujo controle é necessário para a garantia do lucro; A, de Atendimento, que deve ocorrer na quantidade certa, na hora certa, e com cordialidade; M, de Moral, que é o fator-chave para a obtenção da participação do trabalhador; S, de Segurança, seja quanto às condições de trabalho, a saúde ambiental e humana, bem como a segurança fornecida pelo emprego, esta dependente dos resultados financeiros e outros fatores.

Os componentes individuais  do QCAMS serão melhor explicados a seguir.

Q
A qualidade do produto deve ser alcançada sob perspectiva do usuário final, pois é ele quem paga a conta, mesmo quando há um intermediário que escolhe por ele e lhe impinge o produto ou serviço. Entretanto, conforme afirmou Steve Jobs, quando se trata de inovação radical o usuário final nem sempre sabe o que quer até que o produto lhe seja apresentado. Além disso, ele pode dizer que quer algo numa pesquisa "científica", mas mudar de opinião quando o produto for colocado no mercado. Daí ser necessário combinar muito bem a análise, intuição e excelente comunicação na hora de se definir a qualidade que fará o cliente "abrir a carteira", usando uma expressão de Steve Jobs.

C
Se há bom controle dos custos, pode-se garantir o lucro. Para produtos inovadores isso não é tão importante no início, mas  passa a ser importante tão logo o produto ou serviço se estabiliza no mercado, pois os concorrentes podem copiá-lo a custos mais baixos.

A
O atendimento implica entregar na hora certa, no local certo, na quantidade certa e de forma agradável. O cliente precisa sentir-se encantado não só com o produto, mas com sua entrega.

M
Se o moral dos trabalhadores não for administrado, eles não darão o melhor de si, nem se sentirão realizados ao darem a sua contribuição. Mais cedo ou mais tarde isso poderá ser um grande problema.

S
A segurança no ato de trabalhar, a segurança no emprego e a segurança do meio ambiente são aspectos essenciais da sustentabilidade do empreendimento. Não levar isso em consideração poderá ser fatal.

A demanda quanto ao QCAMS são dinâmicas, e estão sempre impondo novos desafios. Dai que a solução mais segura está em cultivar a filosofia da melhoria contínua de tudo, especialmente com foco em eventuais lacunas que colocam o produtor atrás das boas práticas do mercado.

Ao fazer a Gestão da Dinâmica do Conhecimento, e tomando como referência o QCAMS,  realiza-se o potencial produtivo em ambiente de respeito pelo ser humano e o meio ambiente, o que pode tanto ser associado à  Qualidade Total como à Sustentabilidade.



terça-feira, 15 de maio de 2012

Atitudes, diretrizes e métodos para o empreendedorismo inovador


O texto a seguir é um Resumo Sintópico feito por minha aluna Júlia Mendes Ribeiro. Isso quer dizer que ela leu várias obras sobre o tema e o recriou da forma como julgou mais apropriada. O mesmo foi previamente submetido a vários leitores com interesse no assunto, tendo sido julgado digno de ser divulgado neste Blog. 


O mercado dinâmico e exigente como o atual demanda que as empresas busquem, continuamente, pelo aprimoramento de seus processos e produtos. Para fazê-lo, contudo, é preciso se ter boas pessoas e bons métodos. Ao analisar várias referências bibliográficas, é possível concluir que existem boas práticas e atitudes a serem adotadas por aqueles que buscam liderar seus mercados.
Em primeiro lugar, é preciso cultivar uma atitude empreendedora na organização. Tal atitude se inicia com uma liderança com objetivos bem estabelecidos – que sabe quais são os resultados a serem alcançados pela organização – e com habilidade para selecionar boas pessoas para o seu time. Algumas características comuns aos profissionais de sucesso, de acordo com Napoleon Hill em A lei do triunfo, são a criatividade, o entusiasmo, saber aprender com fracassos, o hábito de fazer mais que a obrigação e o espírito de cooperação. De fato, tais características são fundamentais quando se deseja alavancar uma organização para o sucesso.
Além de tais atitudes individuais, é preciso que a organização como um todo tenha diretrizes para o sucesso. Matthew E. May e Kevin em Toyota – A fórmula da Inovaçãoapontam diretrizes aplicáveis a quaisquer organizações que desejam alavancar seus resultados: buscar pela perfeição (não conformismo) e a melhoria contínua (Kaizen), optar pela simplicidade (Lean), focar no atendimento às necessidades atuais da sociedade, buscar sempre ver com os olhos do cliente para surpreendê-lo ao superar suas expectativas, priorizar o aprendizado. Em Made in America, Sam Walton e John Huey apontam uma diretriz muito importante para o sucesso de uma organização: conhecer bem os concorrentes e absorver deles o que considerar bom e aplicável à sua realidade.
Para que a empresa seja uma líder de mercado, é necessário que ela tenha uma cultura de inovação. Quando se busca estabelecer uma cultura organizacional, é necessário envolver todos os membros da empresa. Portanto, na cultura de inovação, todos devem participar. Qualquer pessoa pode desenvolver ideias inovadoras quando o ambiente é propício – sem recriminações. Além disso, é importante se estabelecer um método para a inovação. Em O Poder Criador da Mente, Alex F. Osborn disserta sobre um método simples. De acordo com tal método, em primeiro lugar, deve-se definir o problema e estuda-lo a fundo. Em seguida, reunir pessoas que têm algum conhecimento ou envolvimento com o problema; listar ideias soltas, focando na quantidade. Após um descanso, devem-se selecionar ideias mais aplicáveis, desdobrá-las para operacionaliza-las, por meio da cocriação. Seleciona-se, por fim, a melhor ideia e a aplica, podendo medir os resultados.
Assim, a inovação passa por três fases principais, conforme James M. Utterback: a Fluida, em que há grande volume de mudanças, processos ineficientes e pessoas especialistas envolvidas desenvolvendo um produto; a Transição, em que há melhor definição do mercado e a inovação é aceita; a Específica, em que há maior número de inovações incrementais e de processo.
Uma organização de sucesso é aquela que consegue resultados de impacto de maneira sustentável. Para tanto, possui os três elementos coexistindo: atitude empreendedora, diretrizes de empreendedorismo e inovação e bons métodos para inovar – seja em produtos, seja em processos.