sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Gestão para a sustentabilidade

O homem,individualmente e em grupo, e por natureza, é impelido a agir para satisfazer suas necessidades e desejos. A ação pode ser realizada naturalmente, seguindo os impulsos do organismo, como nos animais irracionais, ou por decisão racional. Neste último caso, diz-se que se faz a gestão.

A gestão, por sua vez, pressupõe uma ética. Entre as muitas classificações da ética, tem-se que ela pode ser: 1. cooperativa ou competitiva; 2. materialista ou espiritualista; 3. realista. Defendo um ética realista, mas o que isso significa?

A ética realista é baseada em conhecimento e, ao mesmo tempo, reconhece que nunca se pode conhecer tudo. Dai que, ao agir, deve-se compatibilizar princípios, meios e fins, por meio de um método que permite a correção contínua para o alinhamento desse trio.

Segundo a visão realista, conforme a compreendo, trata-se de fazer a gestão da dinâmica do conhecimento. Ora, o conhecimento evolui daquilo que parece ser até o conhecimento daquilo que é, isto é, da realidade em si.

Começa-se a vida imitando. E a boa gestão parte da imitação das melhores práticas acessíveis. O dominio de uma técnica implica imitar o mais fielmente possível o padrão estabelecido para, só então, obter liberdade para se fazer uma imitação criativa.

Com uma filosofia de vida baseada na melhoria contínua, mantém-se a mente alerta para todas as possibilidades, como ocorre com mente de um iniciante. Entretanto, deve-se reconhecer a necessidade de manter uma posição estabilizada antes de dar um novo passo.

Estar no controle, ou fazer a gestão, implica, então: 1. encontrar a oportunidade; 2. desenvolver uma solução completa; 3. ser capaz de manter essa solução para obter resultados cuja qualidade é garantida como condição para a produtividade; 3. evoluir para novos patamares de qualidade e de produtividade.

As melhorias podem ser desde muito pequenas e sistematicamente conseguidas no dia a dia, até grandes melhorias, que exigem ruptura com a situação existente, como nos casos de inovações radicais.

A inovação, em seu sentido radical, por sua vez, pode ser uma imposição do ambiente ou uma decisão, uma descoberta ocasional feliz, ou o fruto de um investimento sistemático de parte dos recursos disponíveis para se realizarem visões de futuro intencionalmente.

Pode-se ilustrar o que foi dito refletindo sobre a História. Inicialmente, por pressão da sobrevivência, foram feitas muitas descobertas ocasionais, principalmente por inspiração na vida animal. Algumas descobertas excepcionais, com a da pólvora e a da bússula, mudaram o destino da Humanidade. Entretanto, somente com o advento da empreendimento científíco, baseado em um método, é que houve o avanço técnico sistemático.

A gestão foi posta em ação em muitos níveis. Sua aplicação com foco total deu-se quando Frederick Taylor propôs e aplicou o método científico na fábrica. Com Henry Ford, que usou Taylor como consultor, seu potencial foi realizado na Ford Motors, apesar de todas as restrições de conhecimento sobre a condição humana no trabalho.

A Toyota Motors ampliou e ajustou o uso da gestão, agora com esforços sistemáticos de inclusão do homem integral ao sitema produtivo.

Atualmente, busca-se uma gestão que se atualiza com a necessidade de preservação do Planeta para as gerações futuras, visando à sustentabilidade das condiões de vida. E isso pressupõe assumir uma ética da responsabilidade pela vida de boa qualidade.

A gestão com foco em inovação esteve no cerne da Revolução Industrial no sistema capitalista. O cumunismo marxista pressuponha capacidade de gestão. Ambos dependiam da gestão da formação do homem na escola, preparando-o para uma vida produtiva.

A gestão imnpõe-se como um necessidade para o desenvolvimento humano integral. Ela depende da ética, de método e de ferramentas de apoio ao pensamento para se estabelcerem planos de ação. Estes, por sua vez, precisam ser experimentados.

Os sitemas de ação devem ser adotados e melhorados conscientemente. As condições inerentes à saúde mental e à saúde ambiental devem ser respeitadas.

Enfim, a gestão é o caminho para a ampliação do conhecimento produtivo, visando à sustentabilidade: do ser humano, do meio ambiente e do Planeta. Mas, não se deve esquecer de que toda ação consciente é como a ponta do iceberg. O conhecimento perfeito não é para este mundo.

Em síntese, o desenvolvimento sustentável depende da boa gestão. Esta, por sua vez, pressupõe, entre outros aspectos, os seguintes:

1. Aprender sempre com os melhores padrões disponíveis, principalmente históricos;
2. Ser capaz de atingir a excelência nas técncias conhecidas;
3. Aceitar que tudo pode melhorar o tempo todo, mas num sistema em que as melhorias sejam captadas e incorporadas à rotina do dia a dia;
4. Estar sempre atento á necessidade ou possibilidade de romper com a situação existente para se atingirem patamares nunca vistos de desempenho;
5. Usar tudo isso em benefício da melhoria da saúde mental, em que as pessoas possam realizar os seus potenciais de contribuição para que a vida seja vivida com alegria.

sábado, 27 de novembro de 2010

Dialogar para conhecer e conviver

Newton e Einstein, entre outros cientistas, demonstraram a necessidade de diálogo entre o pensamento e o objeto inanimado para se apreenderem os segredos da natureza. Nesse diálogo o objeto da pesquisa mantém-se mudo, só revelando os seus segredos mais profundos aos que têm paciência, persistência e sutileza na abordagem. Takeuchi e Nonaka (A Criação de Conhecimento na Empresa) ressaltaram a necessidade do diálogo, usando metáforas e analogias, para se criarem produtos inovadores nas empresas. O conhecimento não nasce somente do diálogo isolado entre um homem e o seu objeto de pesquisa mas, também, a partir do diálogo dos homens entre si. Sócrates mostrou a importância do diálogo como forma de trazer à luz o conhecimento, o que foi chamado de maiêutica. Paulo Freire destacou a necessidade de uma educação dialógica.

Algumas pessoas aprenderam a dialogar consigo mesmas e, assim, se autoconhecerem. Outras dedicaram-se, como cientistas, a compreender o segredo da boa comunicação no dia-a-dia. Entre elas pode-se citar Carl Rogers que, nas décadas de 1960/70, procurou promover o encontro humano eficaz. Ele concluiu que a comunicação entre as pessoas é deficiente porque, geralmente, elas respondem antes de preparar o terreno. A Enciclopaedia Britannica produziu um vídeo chamado Saber Escutar, que ilustra as regras da comunicação eficiente a partir das descobertas de Rogers. O vídeo começa explicando que, “entre todas as ferramentas da administração, saber escutar é a mais simples e a mais fácil de ser mal compreendida.”

Pode-se representar o método de Rogers, com alguma adaptação, pelo acrônimo ocer – ouvir, compreender, enriquecer e responder. Ouvir não é tão fácil quanto parece, pois geralmente preferirmos falar ou, às vezes, ficar calados. O assunto tem merecido a atenção de grandes universidades. O professor Jorge Tadeu, da UFMG, afirmou ter feito uma disciplina durante o seu doutoramento na França cuja única atividade que se impunha ao aluno era ‘escutar’. Quando alguém nos fala, quase sempre não compreendemos o que é dito, por isso precisamos nos esforçar, perguntando e prestando atenção não só ao que se fala, mas sobretudo às mensagens subliminares, reveladas pelos sinais do corpo. Recentemente li uma pesquisa que dizia que cerca de 40% dos empregados norte-americanos não compreendem o que os seus chefes dizem. Apesar disso eles são obrigados a agir. Imaginem os resultados!

Após compreender, e antes de responder, é necessário enriquecer a conversa, concordando com o outro naquilo que julgamos que ele esteja certo. Isso faz com que ele perceba que o respeitamos, o que prepara o caminho para que passe a desejar ouvir-nos, ainda que não concordemos com ele. Fechando-se o ciclo ocer - ouvir, compreender, enriquecer e responder - aumentam-se as chances de se compreenderem as necessidades do cliente, do cidadão, do amigo, do parente e, até mesmo, do inimigo. Se o interlocutor não for determinado a dominar, como Hitler, até mesmo guerras poderiam ser evitadas. Novos produtos poderiam ser desenvolvidos sob medida, e o convívio poderia ser muito mais agradável. É preciso, portanto, dialogar para conhecer e para conviver.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ensino-aprendizagem: reflexão para a atualização de um Projeto Pedagógico

RESUMO
Esta reflexão visou a dar o primeiro passo para a atualização do Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Produção da UFMG.

1. Começando pelo Perfil do Egresso
As exigências iniciais do MEC para abrir o processo de avaliação dos cursos de engenharia em 2008 começa pela definição do perfil do curso projetado para alcançar o perfil do egresso. Esse perfil do egresso, embora seja legalmente estabelecido, pode ser sintetizado de várias formas equivalentes, a partir de diversas fontes.

Jacques Delors, num relatório para a UNESCO (Highlights in Education, UNESCO, 1994) sobre os pilares fundamentais da educação para o século XXI, identificou um perfil composto de quatro pilares, todos eles suportados por uma base única: aprender. De acordo com esse relatório, o sistema educacional deveria preparar pessoas capazes de aprender a: ser, conviver, fazer e aprender. E isso por toda a vida, independente da delimitação dos contornos epistêmicos de uma profissão.

O projeto Perfil do Engenheiro no Século XXI, realizado no início da década de 1990, num convênio CONFEA/CREA’s/ABENGE, identificou um perfil genérico que inclui: iniciativa, criatividade, capacidade de trabalho em equipe, capacidade de comunicação oral, verbal e gráfica, além do uso rotineiro das ferramentas da informática. Esse perfil deveria ser atingido a partir de uma forte base em ciências exatas e ciências da engenharia, com acréscimo de temas das ciências humanas. Um núcleo profissional típico de cada engenharia seria responsável pela especificidade do profissional engenheiro, pelo menos nos primeiros anos do exercício profissional, pois os levantamentos feitos à época demonstraram que o engenheiro caminha inexoravelmente para compreender e dirigir processos produtivos cada vez mais abrangentes, ultrapassando a função puramente técnica.

Segundo dados do IBGE, apenas 32% dos engenheiros com 23 anos de idade alegam exercer atividades típicas do curso de engenharia no Brasil. Se, por outro lado, esses engenheiros tiverem aprendido a aprender, poderão usar essa habilidade em qualquer atividade e, assim, justificar o investimento em tempo e dinheiro feito ao cursar engenharia. Contudo, é preciso questionar o processo de ensino-aprendizagem, pois há fortes indícios de que o sistema de educação formal concentra-se mais no ensino, sob a perspectiva do professor, sem questionar o processo de aprendizagem do aluno.

2. Alguns Desabafos sobre a Tendência da Escola de Ensinar sem Compreender o Processo de Aprendizagem
Tony Buzan, autor do livro Use Your Head, afirmou: “Na escola, passei milhares de horas aprendendo matemática. Milhares de horas aprendendo linguagem e literatura. Milhares de horas em ciências, geografia e história. Então me perguntei: (...) Quantas horas aprendendo como aprender? Quantas horas aprendendo como o meu cérebro funciona? Quantas horas aprendendo sobre a natureza do meu pensamento e como ele afeta meu corpo? E a resposta foi: nenhuma, nenhuma, nenhuma, nenhuma. Em outras palavras, na verdade, não me ensinaram a usar minha cabeça”.

Einstein, no livro Notas Autobiográficas, afirmou que “Na verdade, é quase um milagre que os métodos modernos de instrução não tenham exterminado completamente a sagrada sede de saber, pois essa planta frágil da curiosidade científica necessita, além de estímulo, especialmente liberdade; sem ela, fenece e morre. É um grave erro supor que a satisfação de observar e pesquisar pode ser promovida por meio da coerção e da noção do dever. Muito ao contrário, acredito que seria possível eliminar por completo a voracidade de um animal predatório obrigando-o, à força, a se alimentar continuamente, mesmo quando não tem fome, especialmente se o alimento usado para a coerção for escolhido para isso.”

A crítica de Einstein à escola é reforçada por Feynmen (FEINMEN, Richard. Are You Joking Mr. Feynmen?) e por Schenberg (SCHENBER, Mário. Formação da Mentalidade Científica. Disponível em: digite o título no Google). O primeiro, Prêmio Nobel de Física de 1965, centra suas críticas na baixa qualidade do material de ensino e no despreparo do professor para ensinar. O segundo, um brasileiro parceiro de pesquisa de vários ganhadores do Prêmio Nobel em Física e Química, ressalta que o aluno é submetido a condições agressivas incompatíveis com a formação de uma mentalidade científica.

Babette e colaboradores afirmaram sua posição crítica já no título do livro: “Cuidado, Escola!”. O livro, apresentado pelo educador brasileiro Paulo Freire, faz uma reflexão crítica sobre a escola apresentando-a como “um mundo separado da vida, reprodutor de desigualdades socio-culturais, onde se aprende a dependência”. O aluno seria obrigado a usar o seu cérebro como depósito de informações inúteis para a vida, ao invés de ser educado para usá-lo de forma autônoma na solução de problemas reais.

Os questionamentos anteriores alertam sobre a necessidade de que os alunos sejam consultados sobre como aprendem, e como têm sido tratados pela escola. É provável que esse tipo de consulta identifique boas oportunidades para se fazer realizar o potencial de aprendizagem dos estudantes de engenharia, tornando-os não só mais produtivos, como também mais realizados como seres humanos.

3. Algumas Propostas de Ação
Paulo Freire, em diversas obras, propôs que se deve partir sempre da realidade, levando o aluno a aprender a pensar e a agir para resolver os problemas que afetam a sua existência, num processo de reflexão, julgamento e ação. Freire assumiu, implicitamente, que o desenvolvimento humano se dá pela solução de problemas em equipe, assim como preconizaram o psicólogo humanista Abraham Maslow e a escola de administração japonesa, centrada na prática efetiva do método científico por todos, numa forma instrumental apropriada.

Dryden & Vos, no livro Revolucionando o Aprendizado, constataram uma real preocupação com a questão ensino/aprendizagem em vários países, tendo feito uma espécie de mapa das melhores experiências mundiais sobre o tema. Tendo como referência principal o livro destes autores, além de outras fontes, podem-se destacar os seguintes aspectos que estão orientando a revolução da aprendizagem de vanguarda no mundo atualmente:

• a necessidade de selecionar um núcleo central de conhecimentos que permita lidar com os “conhecimentos” de utilidade transitória;

• reconhecimento de que existem diferentes tipos de inteligências, com indícios de que se originam em partes diferentes do cérebro e que precisam ser ativados;

• reconhecimento de que a emoção exerce papel fundamental na aprendizagem;

• a necessidade de integrar visão de futuro, imagens mentais, paixão e ação para se atingirem metas significativas;

• a constatação de que é preciso aprender fazendo, e que o conhecimento é construído e reconstruído o tempo todo, de forma coletiva;

• a ênfase na aprendizagem, em vez de ênfase no ensino;

• a valorização das experiências de vida da pessoa, bem como a indução do máximo de iniciativa pessoal para a criação do autodidata;

• a constatação de que existem diferentes estratégias de aprendizagem que precisam ser descobertas e respeitadas.

É provável que, com o uso da tecnologia da informação, e levando-se em conta as críticas e sugestões relatadas anteriormente, a aprendizagem possa ser acelerada, além de tornar-se um atividade agradável e por si mesma recompensadora. Para tal é necessário que cada professor se transforme, também, num pesquisador do processo ensino-aprendizagem, indo além de meras leituras a esse respeito.

4. Algumas Fontes de Aprendizagem sobre o Aprender a Aprender
A proposta clássica a respeito teve origem em Sócrates, com a sua maiêutica. Ele defendeu a idéia de que o conhecimento está gravado no interior das pessoas e que o papel do professor seria fazer o parto desse conhecimento, trazendo-o à luz. Essa forma de pensar, contudo, foi esquecida e distorcida até que se consolidou, na Idade Média, o pensamento escolástico, centrado na mera repetição das lições de Platão e de Aristóteles, discípulos de Sócrates.

O pensamento escolástico foi combatido por Descartes (1596 –1650) e por Francis Bacon (1561 – 1626), este considerado responsável pelo nascimento do empreendimento científico em larga escala. Coube, entretanto, a Galileu Galilei (1564 – 1642) e Newton (1643 – 1727) a realização de pesquisas fundamentais sobre a natureza e, ao mesmo tempo, a consolidação de um método de aprender a aprender, ou o método científico (consulte-se a coleção Os Pensadores, com títulos equivalentes aos nomes das personalidades respectivas).

O engenheiro Taylor (TAYLOR, F. Winslow. Princípios de Administração Científica.) notabilizou-se por ter revolucionado a produtividade no século XX a partir da aplicação do método científico. Para ele, o aprender a aprender devia ser aplicado diariamente no processo produtivo, integrando o homem ao sistema técnico. O método que ele preconizava era o mesmo defendido por Newton e Galileu Galilei, porém aplicado ao processo produtivo por especialistas.

Com Einstein, entre outros, (HOLTON, Gerald. A Imaginação Científica.) consolidou-se o método científico na sua versão mais ampla, integrando o uso da lógica e da intuição, além da sensibilidade humana. Einstein afirmou ter visto mais longe do que Newton por estar nos seus ombros, tendo destacado que, os que se dispuserem a aprender com ele devem dedicar-se mais à compreensão de sua forma de pensar do que concentrar-se naquilo que ele fez como cientista (EINSTEIN, Albert. Nota Autobiográficas).

O Sistema Toyota de Produção, representante típico do modelo de gestão holístico que se consolidou a partir da Segunda Guerra Mundial, apropriou-se do conceito de aprender a aprender fazendo, sob um perspectiva do sistema produtivo integrado. Nesse modelo percebe-se, além da influência dos cientistas anteriores, uma aplicação prática do zenbudismo como método de interagir com a realidade. Na Toyota, argumenta-se que todo trabalhador é cientista/engenheiro/gerente, e que pode aprender com a forma de pensar dos cientistas, desde que essa seja instrumentalizada para uso de acordo com a capacidade do trabalhador.

Entretanto, mesmo no caso da Toyota, centrado na prática, pressupõe-se que os trabalhadores receberam a sua formação básica na escola. E isso exige que se analisem as teorias dos principais autores que se dedicaram a compreender o processo de formação da mente apta a aprender, a partir da escola. A esse respeito, destacam-se, entre outros, três nomes: Comenius (1592 –1670), John Dewey (1859 – 1952) e Jean Piaget (1896 – 1980).

Comenius, com sua obra clássica Didática Magna, inaugurou a moderna didática. Ele propunha seguir o exemplo da natureza no processo de ensino, de forma que o aprendiz evoluísse naturalmente, sem traumas. Na sua opinião, um professor devidamente preparado, com materiais didáticos apropriados e compreendendo a forma como o estudante aprende, poderia ensinar a centenas de alunos por vez, usando monitores adequadamente preparados para retransmitir as lições do mestre. Atualmente, com o avanço da informática, e com a criação de plataformas de ensino-aprendizagem, como o Teleduc, um professor bem preparado poderia atingir milhões de estudantes, de acordo com a filosofia de ensino-aprendizagem de Comenius.

John Dewey, dando seqüência á forma de pensar de Comenius, consolidou a versão do ensino centrado na prática, tendo influenciado o padrão americano de aprender a aprender fazendo a partir da década de 1920, nos Estados Unidos. Dewey iniciou o movimento da Nova Escola, defendido no Brasil por Anísio Teixeira, mas não implementado em larga escala por razões políticas. Sua proposta continua válida e aplicada, em parte, de forma tácita, nas universidades que envolvem os seus alunos no tripé ensino-pesquisa-extensão. Sua filosofia de ensino consolida-se, atualmente, com o envolvimento do aluno em estágios curriculares e monografias de final de curso.

Jean Piaget, com o seu construtivismo, procurou compreender não apenas a questão do ensino-aprendizagem, mas o desenvolvimento integral do ser humano. Para ele, o conhecimento se constrói enquanto se vive, ao longo de toda a vida. Ele defendeu que o processo de crescimento humano coincide com o processo de aprendizagem que, por sua vez, passa pela assimilação do existente, pela sua acomodação no organismo vivo e, em seguida, a equilibração com o meio, buscando novas adaptações na forma de um ciclo que se repete por toda a vida.

5. Conclusão
É necessário que se mude o foco do ensinar, centrado no professor, para o aprender a aprender, centrado no aluno. A dinâmica do conhecimento produtivo, envolvendo a criação e a difusão do conhecimento, precisa ser dominada sob uma perspectiva integrada, técnica e humana, mas também sob a perspectiva da compreensão da cadeia produtiva, num contexto de responsabilidade socio-ambiental. Viver, sob essa perspectiva, eqüivale a crescer em conhecimento, sob a orientação de uma ética orientada para a construção da vida saudável.

Educação e treinamento

Na década de 1990 participei intensamente do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade. Uma das preocupações que tínhamos era compreender a distinção entre educação e treinamento Na dúvida, sempre os referíamos a E & T, deixando claro que não havia como distinguir as duas coisas.

O pressuposto da educação é que se forme a consciência crítica e prática para se dominar a dinâmica do conhecimento. Esse é um processo vivo que depende de ideias que venham da observação da realidade, mas que se consolida na experimentação, na sistemação, na operação das soluções.

Mas o processo não termina ai. É preciso estar sempre atento à melhoria, esta podendo ser tanto incrental quanto de ruptura. Ao abordar o ciclo da dinãmica do conhecimento, completam-se os objetivos tanto da educação quanto do treinamento. Isso implica aprender com as melhores práticas disponíveis e, ao mesmo tempo, dedicar parte do tempo para fazer aquilo que nunca foi feito.

Alguns educadores pensam que podem separar a educação do treinamento. Mas isso é um erro. Todo bom treinamento é um processo prático de educação. Toda boa educação fecha o seu ciclo no treinamento. E a consciência crítica une os dois conceitos, tornando-os uma coisa só.

Praxis seria um bom nome para representar a união dos conceitos se o marxismo não tivesse contaminado o termo com o tal materialismo dialético. Pragma poderia ser, igualmente, um bom nome se o capitalismo não tivesse contaminado o termo com a ideia de materialismo liberal.

Talvez seja melhor manter o dístico Educação e Treinamento.

sábado, 25 de setembro de 2010

Qualidade versus inovação



Na década de 1990 estava na moda falar em qualidade. Atualmente está na moda falar em inovação. Mas há uma pequena confusão semântica nessas modas.

A busca da qualidade de vida é anseio eterno. Isso implica ter qualidade: no produto, nas relações humanas, no meio ambiente, etc ...

A qualidade pode ser obtida por imitação ou por inovação. Esta pode ser fruto de um aperfeiçoamento do existente, de forma incremental, ou de uma ruptura com o existente.

Assim, a meta é sempre obter qualidade como condição prévia para se conseguir produtividade.

Pode ser que, usando a palavra inovação, tenha-se um novo impulso para se buscar a qualidade de vida que todos querem. Porém, é muito importante fixar os significados perenes dos termos. Fora isso trata-se de alimentar a confusão semântica.

No caso do Japão, por exemplo, a qualidade foi buscada por todos, o que levou à Gestão pela Qualidade. Esse país começou imitando, incorporou a ideia de melhoria contínua incremental e aplicou recursos visando à melhoria radical.

No caso da Coreia do Sul o caminho foi o mesmo do Japão, porém o processo ocorreu numa velociadade maior.

Empresas como a Apple estão na liderança em inovação. Mas o que se compra, ao final, é a qualidade de seus produtos.

Enfim, pode-se afirmar que a qualidade é a meta. A inovação, um meio.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Liderando pelo Conhecimento

Peter Drucker afirmou que só há uma definição para líderes: - aquele que tem seguidores. Warren Bennis afirmou que compete ao líder iniciar e manter a ação. Falconi Campos ressaltou que o líder deve ser avaliado pelos resultados que consegue extrair de sua equipe. Mas, em qualquer das hipóteses, o líder deve saber lidar com o processo do conhecimento envolvido nas atividades em que está à frente.

Digo líder, e não gerente, pois, idealmente, todo gerente deveria ser um líder. Não podendo sê-lo, mesmo assim deve lidar com conhecimento. Mas, o gerente que não é líder, embora seja inevitável que existam alguns assim, gera muitos atritos emocionais para conseguir resultados. Eventualmente, ele age como chefe, o que ainda é pior. Como já sabemos, o chefe manda, o gerente age burocraticamente. Só o líder mobiliza corações e mentes.

Se o fizer, pois, com conhecimento, obtém os melhores resultados possíveis com o menor desgaste emocional dos liderados. A empresa pode, então, tornar o trabalho produtivo e o trabalhador realizado. Mas, o mais importante não é o estoque de conhecimento que o líder tem. Ele precisa dominar o processo de geração de conhecimento que, em última instância, se transforma nos bens, nos serviços e nos sentimentos necessários à vida de boa qualidade.

Para aprender mais sobre o assunto, leia: DEMING, W. Edwards. A Nova Economia.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Padronização versus inovação

Há quem pense que a padronização é pouco nobre, e que é preferível inovar sempre. Mas essa é uma ideia errônea que decorre da falta de domínio da dinâmica do conhecimento produtivo.

Se a empresa está em operação, e é desorganizada, ela precisa da padronização que decorra de estudos que identifiquem os processos que valem a pena ser padronizados. Num primeiro momento, há que se restaurar o bom hábito da organização em geral, mobilizando a todos para eliminar a bagunça e criar um ambiente ordenado e propírico à inovação.

Para tal é preciso fazer um diagnóstico da situação, bem como proposições que alimentarão experimentos de padronização. Estes, se bem sucedidos, precisam então ser cofirmados por algum tempo durante a operação propriamente dita até que os resultados obtidos tenham se estabilizado.

O objetivo de uma padronização bem-feita é alcançar previsibilidade nos resultados. Só então pode-se caminhar rumo à inovação como um investimento necessário para se garantir um futuro sustentável.

Em alguns casos a inovação se impõe como condição de vida ou morte, e não há como planejá-la nos mínimos detalhes. Em outros, é possível dedicar parte dos recursos financeiros e do tempo em experimentos de inovação. A empresa 3M, por exemplo, estimula que cada colaborador dedique cerca de 15% do seu tempo a projetos de inovação livremente escolhidos.

Pelo mecanismo de crescimento e poda a 3M seleciona, ao longo do tempo, os projetos mais promissores para dar-lhes suporte. Isso faz com que a empresa mantenha um ambiente apropriado à inovação, mas sem forçar a situação. Ela prepara o terreno, planta sementes nem sempre puras, e elimina o joio do trigo após o seu nascimento.

A empresa Aple tem sido reconhecida por sua grande capacidade de inovar, neste caso tendo como principal agente impulsionador do processo seu fundador Steve Jobs. Porém, mesmo essa empresa precisa produzir e, durante a produção, ter certeza de que os processos e os produtos sejam padronizados para garantir a qualidade final.

Assim, percebe-se que não há choque entre padronização e inovação, pois eles são conceitos complementares para a melhoria contínua do desempenho das empresas no mercado competitivo.