RESUMO
Este artigo é uma reflexão sobre o CCQ – Círculo de Controle da Qualidade - como organização do trabalho que torna realidade a Universidade do Trabalhador, no chão da fábrica e do escritório.
1 INTRODUÇÃO
O trabalho em equipe é uma necessidade imposta pelas condições de existência do ser humano. Karl Marx reconheceu-o como fundamento contraditório da fábrica capitalista; Abraham Maslow afirmou que as pessoas crescem resolvendo problemas em equipe; Erich Fromm recomendou a formação de redes de estudos e de trabalho em equipe para a transformação social em larga escala. Até mesmo Einstein, reconhecidamente apegado ao isolamento criativo, tinha o seu grupo de trabalho informal.
Nas empresas, uma das formas de capacitar os trabalhadores para o desempenho superior consiste em incentivá-los a montar equipes voluntárias de estudo e de solução de problemas, nos seus locais de trabalho. Geralmente denominadas CCQ’s - Círculos de Controle da Qualidade -, essas equipes são voluntárias e funcionam por tempo indeterminado, o que facilita a criação de ambientes de aprendizagem por toda a empresa e por toda a vida. Tais equipes propiciam a satisfação de algumas necessidades sociais, de estima e de autorealização dos trabalhadores.
Emílio Y. Sakai, após trabalhar com e refletir sobre os CCQ’s por mais de 25 anos, na NGK do Brasil e na Fiat Automóveis, afirma que: “O CCQ visa a proporcionar a preparação de profissionais ( trabalhadores) capazes de dominar a qualidade. Isso quer dizer que eles tornam-se aptos para manter a qualidade do processo produtivo/administrativo em que atuam garantindo, assim, a satisfação dos seus clientes. Sabendo utilizar técnicas e métodos apropriados, evitam que os problemas aconteçam e, caso não consigam evitar alguns deles, podem identificá-los e soluciona-los, imediatamente, antes que provoquem maiores danos."
O movimento dos CCQ’s teve origem no Japão na década de 1960, alcançando grande repercussão no Brasil na década de 70. Na década de 80 ele foi combatido pelo sindicalismo, tendo sido praticamente extinto. Após ser repensado para o contexto brasileiro, o movimento foi reintroduzido, com sucesso, na década de 90.
2 O CCQ E O MÉTODO DE SOLUÇÃO DE PROBLEMAS
Resolver problemas seria uma atividade mais eficiente e eficaz com o uso do ‘método científico’, de acordo, por exemplo, com Descartes, Galileu Galilei e Newton. Einstein julgava possuir uma forma de pensar identificável, que usava para resolver problemas, tendo-a descrito no livro Notas Autobiográficas. As descrições desses grandes homens sobre suas formas de pensar e de resolver problemas são extremamente simples. Isso leva a crer que, apesar de poderem ser úteis, não representam propriamente métodos, mas uma lógica que não pode ser ensinada por meio de passos mecânicos. O que faz a diferença, quando todos usam o mesmo algoritmo estruturado para a ação, é a capacidade de o agente pensar e encontrar o ponto-chave. Por sua vez, essa capacidade só pode ser adquirida ao longo do tempo, pela permanente combinação entre ação e reflexão, não tendo relação direta com o grau de escolaridade formal.
Grandes especialistas na análise da forma como o conhecimento é gerado, entre eles Karl Popper, epistemólogo e lógico de grande reputação, acreditam que “o método em ciência consiste em se aprender com o erro”. Para tais estudiosos o método, se existe, é simples e intuitivo, estando ao alcance de qualquer pessoa. Contudo, sua execução, no caso de situações novas, pode depender de genialidade, flexibilidade mental e humildade para se levar em consideração qualquer idéia, independente de sua origem.
Os japoneses, especialmente após sua derrota militar em 1945, assumiram que todos os seres humanos têm potencial para resolver problemas que pode e deve ser atualizado e utilizado no trabalho. Compreenderam a necessidade de formatar um ‘método’, associado a ferramentas apropriadas para a sua aplicação. Tal método foi estruturado como PDCA – do inglês Plan, Do, Check e Act ou, em português, Planejar, Executar, Verificar e Atuar -. O PDCA é estruturado em vários passos, geralmente oito, com subpassos que constituem um espécie de lista de verificação para se levarem em consideração todos os aspectos relevantes para a identificação e a solução de problemas.
Uma respeitável empresa sediada no Brasil concluiu, recentemente, que o método, com suas ferramentas típicas, estava sendo imposto de forma dogmática, gerando o desinteresse dos circulistas. Propôs, então, um método mais livre, ao qual chamou de ‘Ver e Agir’, o que deu novo impulso ao movimento na empresa. Isso nos permite fazer uma analogia com o desenvolvimento da capacidade intelectual: deve-se partir de conceitos e ferramentas simples, promover a evolução dessa capacidade usando métodos e ferramentas progressivamente mais sofisticados para, finalmente, dar autonomia total ao estudante, que se torna graduado, especialista, mestre ou doutor.
Na 13a Convenção Mineira de CCQ, realizada no dia 25/05/04 pela UBQ – União Brasileira para a Qualidade -, fez-se uma pesquisa junto a trinta e seis circulistas para obter sua posição em relação ao método e à importância do CCQ para eles. 100% deles concordaram que o CCQ contribuiu para o seu crescimento pessoal e capacidade de resolver problemas em equipe. 100% concordaram que necessitam de um método detalhado para efeito de treinamento. 98% deles gostariam de ter mais liberdade para trabalhar dentro do método.
Os dados esclarecem que, do ponto de vista do método, para efeito de treinamento, os CCQ’s têm sido bem conduzidos. Entretanto, percebe-se que os circulistas têm um desejo de mais autonomia. Isso sugere que eles precisam conhecer melhor como pensam os grandes cientistas, engenheiros e estrategistas, capazes de ultrapassar as limitações de um método dogmático, e de criar o método e usar as ferramentas adequadas à natureza do problema investigado. É essa liberdade, possível nos casos em que há competência instalada, que está associada aos graus de especialista, mestre e doutor.
3 O CCQ COMO SUBSISTEMA DE ORGANAZIZAÇÃO DO TRABALHO
Uma referência mundial de boas práticas do CCQ é a Toyota Motors, possuidora do modelo de gestão mais copiado do mundo. O Sistema Toyota de Gestão (STG) é composto de: i) um objetivo geral permanente, centrado na conquista da prosperidade compartilhada; ii) a contínua melhoria da produtividade, com a qualidade sendo definida pelo cliente; iii) a organização do trabalho em diversos subsistemas e iv) o gerenciamento da força de trabalho de forma compatível com as exigências da natureza humana.
No STG, o CCQ é apresentado como um dos subsistemas de organização do trabalho. Ele não se caracterizaria pelo uso de um método específico, mas pelo domínio dos métodos e das ferramentas, progressivamente mais complexas, capazes de mobilizar a inteligência e elevá-la ao longo da vida, tornando o trabalhador cada vez mais produtivo e realizado, como preconizou Kaoru Ishikawa.
No caso do STG, está implícito o pressuposto de que os trabalhadores devem receber um salário básico suficiente para satisfazer suas necessidades fisiológicas e de segurança e que, a partir daí, suas necessidades sociais, de estima e de autorealização podem ser acionadas como motivadoras e enriquecedoras de suas vidas. Outro ponto importante é que os trabalhadores têm, no caso da matriz japonesa da Toyota, a certeza de poder compartilhar dos resultados da empresa ao longo de suas vidas.
Ressalte-se que, sob a perspectiva de Kaoru Ishikawa, seu criador, e da Toyota, a empresa que melhor o implementou, o CCQ viabiliza a Universidade do Trabalhador, no chão da fábrica. As equipes de CCQ´s tornam-se, informalmente, especialistas, mestres e doutores em solução de problemas. Aprendem a aprender, praticando e refletindo, e exercitam o conviver. Assim, o CCQ contribui decisivamente para a saúde e a credibilidade da empresa. Seu efeito mais notável nas pessoas que é que desenvolvem os sensos apropriados a uma vida produtiva e responsável.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O CCQ deve ser tratado como uma forma de organização do trabalho que promove a aprendizagem por toda a vida, capacitando os trabalhadores para o desempenho superior. Numa analogia com a Universidade e o esporte, os CCQ’s poderiam ser classificados por categoria, de acordo com o grau de evolução das equipes.
Especificamente quanto ao uso do método e suas ferramentas, aqueles grupos que tiverem demonstrado completo domínio dos mesmos – nível de mestres, doutores e faixas-preta – poderiam ser dispensadas de seguir roteiros pré-estabelecidos pois, dominando-os, podem adaptá-los à situação. Para evitar o desestímulo, eventuais competições só deveriam ser incentivadas entre equipes da mesma categoria.
O CCQ é importante para a promoção da saúde e da prosperidade da empresa; é importante para que o trabalhador seja produtivo e realizado; enfim, contém grande potencial de contribuir para a transformação social brasileira, ajudando a preparar o trabalhador da era do conhecimento.
Para conhecer mais sobre o tema, consulte www.ubq.org.br.
BIBLIOGRAFIA
ISHIKAWA, Kaoru. CCQ Koryo: princípios gerais do CCQ. Tradução de Márcio Nishimura, 1985.
______________. How to Operate QC Circle Activities. JUSE – Japanese Union of Scientists and Engineers. Tokyo, 1985.
CHAVES, Neusa Maria Dias. Caderno de CCQ. Editora de Desenvolvimento Gerencial, 2000.
CAMPOS, Fernando A Lomelino. Uma Investigação do CCQ sob a Perspectiva da Solução de Problemas. Dissertação de Mestrado, PPGEP/UFMG, 2004.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Gestão pela Qualidade
O processo civilizatório funda-se, em primeiro lugar, no trabalho. O trabalho exige gestão. A boa gestão pressupõe que se parta de um princípio, tácito ou explícito. O princípio digno de ser explicitado é a qualidade. Assim, a Gestão pela Qualidade representa o avanço da gestão tomada em seu sentido mais amplo, visando à formação do cidadão produtivo. Os desafios da uma Gestão pela Qualidade são, entre outros, o obter o melhor resultado possível quanto a: qualidade do produto ou serviço (Q); custo de produção (C); atendimento das exigências de quantidade, tempo e entrega no local certo (A); moral elevado dos trabalhadores pelo atendimento de suas necessidades (M) e segurança durante a produção, no uso do produto e na disposição dos resíduos gerados tendo em vista a saúde plena (S).
Etapas fundamentais da Gestão pela Qualidade:
1) Atualização dos bons hábitos por meio do método elementar: Ver, Refletir, Agir.
As pessoas falam e reagem a falas sem refletir. E muitas vezes deixam de agir sobre aquilo que está ao seu alcance. Assim, é comum que tenhamos conflitos desnecessários, desperdício de recursos vários, desordem generalizada, sujeira em todos os sentidos e, como resultado, baixa qualidade de vida. Ao induzir e realizar ações pelo método VRA (ver, refletir, agir), deve-se ter sempre em mente a meta da autodisciplina, isto é, a formação do homem com autonomia para iniciar e manter a ação, isoladamente ou em equipe.
2) Domínio da Dinâmica do Conhecimento
Aprendemos por meio do exemplo, consolidamos nossa aprendizagem por meio do contínuo aperfeiçoamento e, eventualmente, inovamos. A aprendizagem com o exemplo pressupõe que estejamos atentos às boas práticas de maneira geral: relações humanas; maneiras de realizar o trabalho; empreendedorismo. A melhoria contínua é uma filosofia de vida que podemos adotar a qualquer momento; basta prestar atenção ao ambiente em torno de nós e, principalmente, na história. A inovação pode tanto ser fruto da melhoria contínua como fruto de ações de ruptura impulsionadas por crises ou por visões de futuro compartilhadas. Eis a ante-sala da Dinâmica do Conhecimento.
Entretanto, há um método para a atividade racional, às vezes chamado de "método científico". Implícito para alguns, ele foi explicitado por homens como: Descartes, Galileu Galilei, Francis Bacon, Newton e Einstein. Na sua forma mais elementar ele é chamado, no mundo empresarial, de PDCA - iniciais de Plan, Do, Check e Act -. De uma maneira mais completa, poderíamos apresentar a Dinâmica do Conhecimento, ou Método Científico, como possuindo os seguintes passos fundamentais e interligados: Ideação, Experimentação, Sistematização e Operação. Ao final de cada uma dessas etapas, e enquanto elas estão sendo realizadas, é preciso questionar se os resultados alcançados são satisfatórios ou não. A pergunta "Satisfaz?" deverá estar sempre presente. Os itens de controle mais gerais, dos quais se podem derivar itens de controle mais específicos poderiam ser, por exemplo, o QCAMS - Qualidade, Custo, Atendimento, Moral e Segurança, além de outros índices tomados de várias fontes da experiência humana.
A qualidade (Q) do produto (bem ou serviço) deve ser buscada nas necessidades dos usuários finais. Muitas vezes esses usuários não sabem o que querem. Dai a necessidade de diálogo permanente em termos de conversa e demonstração concreta desses bens e serviços na forma de protótipos. O custo (C) deve ser o menor possível para que a organização humana (empresa, hospital, entre outras) possa ter margem para sobreviver, crescer e perpertuar-se). O atendimento (A) implica colocar à disposição a quantidade certa, no local certo, no tempo certo. Embora seja uma meta difícil, deve ser buscada como sinal de respeito pelo usuário. O moral (M) é o índice que reflete o grau de satisfação dos trabalhadores. A segurança (S) deve refletir o grau em que as condições de trabalho são favoráveis à saúde; o sentimento de que o trabalhador sente-se seguro em relação ao emprego e o grau em que o ambiente é afetado pelo produto.
3) Domínio de Ferramentas Especializadas
A execução da etapa 1 exige apenas boa vontade. A execução da etapa 2 inclui a etapa 1 e presupõe o crescimento quanto ao domínio de algumas ferramentas de apoio ao pensamento e à ação como, por exemplo: técnicas simples de comunicação, forma de pensar que leve em considerção meios e fins (diagrama de árvore), entre outras ferramentas. Já o pleno domínio da Dinâmica do Conhecimento exige que se aprendam as ferramentas mais avançadas de Engenharia de Produção.
Essas três etapas estão implícitas na evolução da Gestão pela Qualidade no Japão, na Coréia do Sul e em Singapura. Nesses três casos começou-se imitando as melhores práticas disponíveis, adotou-se a melhoria contínua dessas práticas e, em algum momento, deu-se ênfase à inovação como a forma de avançar em competitividade. A Coréia do Sul, em particular, deu mais ênfase à inovação.
É importante lembrar que a Gestão pela Qualidade deve e pode ser praticada por todas as pessoas, em todos os setores de uma organização humana. Ela pressupõe a democracia e, ao mesmo tempo, a impulsiona ao permitir o pleno desenvolvimento humano com base em conhecimento.
Etapas fundamentais da Gestão pela Qualidade:
1) Atualização dos bons hábitos por meio do método elementar: Ver, Refletir, Agir.
As pessoas falam e reagem a falas sem refletir. E muitas vezes deixam de agir sobre aquilo que está ao seu alcance. Assim, é comum que tenhamos conflitos desnecessários, desperdício de recursos vários, desordem generalizada, sujeira em todos os sentidos e, como resultado, baixa qualidade de vida. Ao induzir e realizar ações pelo método VRA (ver, refletir, agir), deve-se ter sempre em mente a meta da autodisciplina, isto é, a formação do homem com autonomia para iniciar e manter a ação, isoladamente ou em equipe.
2) Domínio da Dinâmica do Conhecimento
Aprendemos por meio do exemplo, consolidamos nossa aprendizagem por meio do contínuo aperfeiçoamento e, eventualmente, inovamos. A aprendizagem com o exemplo pressupõe que estejamos atentos às boas práticas de maneira geral: relações humanas; maneiras de realizar o trabalho; empreendedorismo. A melhoria contínua é uma filosofia de vida que podemos adotar a qualquer momento; basta prestar atenção ao ambiente em torno de nós e, principalmente, na história. A inovação pode tanto ser fruto da melhoria contínua como fruto de ações de ruptura impulsionadas por crises ou por visões de futuro compartilhadas. Eis a ante-sala da Dinâmica do Conhecimento.
Entretanto, há um método para a atividade racional, às vezes chamado de "método científico". Implícito para alguns, ele foi explicitado por homens como: Descartes, Galileu Galilei, Francis Bacon, Newton e Einstein. Na sua forma mais elementar ele é chamado, no mundo empresarial, de PDCA - iniciais de Plan, Do, Check e Act -. De uma maneira mais completa, poderíamos apresentar a Dinâmica do Conhecimento, ou Método Científico, como possuindo os seguintes passos fundamentais e interligados: Ideação, Experimentação, Sistematização e Operação. Ao final de cada uma dessas etapas, e enquanto elas estão sendo realizadas, é preciso questionar se os resultados alcançados são satisfatórios ou não. A pergunta "Satisfaz?" deverá estar sempre presente. Os itens de controle mais gerais, dos quais se podem derivar itens de controle mais específicos poderiam ser, por exemplo, o QCAMS - Qualidade, Custo, Atendimento, Moral e Segurança, além de outros índices tomados de várias fontes da experiência humana.
A qualidade (Q) do produto (bem ou serviço) deve ser buscada nas necessidades dos usuários finais. Muitas vezes esses usuários não sabem o que querem. Dai a necessidade de diálogo permanente em termos de conversa e demonstração concreta desses bens e serviços na forma de protótipos. O custo (C) deve ser o menor possível para que a organização humana (empresa, hospital, entre outras) possa ter margem para sobreviver, crescer e perpertuar-se). O atendimento (A) implica colocar à disposição a quantidade certa, no local certo, no tempo certo. Embora seja uma meta difícil, deve ser buscada como sinal de respeito pelo usuário. O moral (M) é o índice que reflete o grau de satisfação dos trabalhadores. A segurança (S) deve refletir o grau em que as condições de trabalho são favoráveis à saúde; o sentimento de que o trabalhador sente-se seguro em relação ao emprego e o grau em que o ambiente é afetado pelo produto.
3) Domínio de Ferramentas Especializadas
A execução da etapa 1 exige apenas boa vontade. A execução da etapa 2 inclui a etapa 1 e presupõe o crescimento quanto ao domínio de algumas ferramentas de apoio ao pensamento e à ação como, por exemplo: técnicas simples de comunicação, forma de pensar que leve em considerção meios e fins (diagrama de árvore), entre outras ferramentas. Já o pleno domínio da Dinâmica do Conhecimento exige que se aprendam as ferramentas mais avançadas de Engenharia de Produção.
Essas três etapas estão implícitas na evolução da Gestão pela Qualidade no Japão, na Coréia do Sul e em Singapura. Nesses três casos começou-se imitando as melhores práticas disponíveis, adotou-se a melhoria contínua dessas práticas e, em algum momento, deu-se ênfase à inovação como a forma de avançar em competitividade. A Coréia do Sul, em particular, deu mais ênfase à inovação.
É importante lembrar que a Gestão pela Qualidade deve e pode ser praticada por todas as pessoas, em todos os setores de uma organização humana. Ela pressupõe a democracia e, ao mesmo tempo, a impulsiona ao permitir o pleno desenvolvimento humano com base em conhecimento.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Formação do autodidata
Autodidata não é aquele que aprende sozinho, a partir do nada, mas aquele que toma a iniciativa de aprender a partir dos recursos existentes; ele se torna, naturalmente, empreendedor. Formá-lo é, de acordo com a UNESCO, o grande objetivo da educação padrão mundial. Três são os fatores cruciais para a formação do autodidata: automotivação; materiais didáticos; e oportunidades para a realização de experimentos de aprendizagem. Ao sistema educacional cabe garantir que essas condições básicas estejam presentes, uma vez que o aprendiz já tenha as suas necessidades fisiológicas e de segurança satisfeitas.
Uma pessoa automotivada tem um propósito bem definido na vida, e sente que vale a pena lutar por ele. O propósito só é encontrado após um longo período de sonhos, de observação e de reflexão. Para encontrá-lo necessita-se, na maioria das vezes, de uma centelha iniciadora do processo. Cabe ao mentor – gerente, professor, treinador etc. - induzir essa centelha, diretamente, ou por meio de relatos de exemplos significativos e compatíveis com a realidade do aprendiz.
O segundo fator mais importante são os materiais didáticos. Esses materiais devem ser auto-explicativos, concisos, dotados de bons exemplos práticos e conter exercícios com grau crescente de complexidade, com a indicação de um caminho seguro para se chegar aos resultados, caso se tratem de problemas bem estruturados. Após aprender a lidar com situações estruturadas, deve-se preparar o aprendiz para extrair os conteúdos relevantes de qualquer situação, ainda que mal estruturada.
Quanto ao terceiro fator, a realização de experimentos, ele tem sido associado à existência de laboratórios caríssimos, mas isso não é necessário. Muitos experimentos de alto impacto podem ser realizados com materiais simples, em sala de aula ou em casa. Os norte-americanos, por exemplo, transformaram as garagens de suas casas em laboratórios no final do século XIX e início do século XX. Thomas Edison e Ford são os exemplos mais citados. O prêmio Nobel de Física Richard Feynman fez os seus experimentos básicos em eletrodinâmica brincando com pratos. A cozinha é um excelente laboratório.
A experiência japonesa de formação do trabalhador que aprende é uma das mais citadas e respeitadas. Por meio de uma versão estruturada e simples ao método científico, faz-se com que trabalhadores comuns ajam como cientistas e engenheiros em suas fábricas. Eles são preparados, num primeiro momento, por meio de simulações em sala de aula, usando materiais corriqueiros e de baixo custo. A partir dos experimentos realizados, os trabalhadores podem entender melhor a fábrica e, assim, diminuir os riscos associados aos experimentos sob condições reais. O Brasil tem aprendido a respeito, mas precisa adotar em massa as experiências bem-sucedidas de suas empresas e escolas.
É necessário fazer um grande esforço para mudar a cultura de passividade reinante, alimentada pelo sistema educacional atual, e avançar na formação do cidadão autodidata. Quanto às pessoas de alta maturidade, é preciso fazer com que ajudem às demais, num ambiente de aprendizagem colaborativa. O Brasil precisa, em benefício de todos, acelerar o processo de realização do potencial de sua gente!
Uma pessoa automotivada tem um propósito bem definido na vida, e sente que vale a pena lutar por ele. O propósito só é encontrado após um longo período de sonhos, de observação e de reflexão. Para encontrá-lo necessita-se, na maioria das vezes, de uma centelha iniciadora do processo. Cabe ao mentor – gerente, professor, treinador etc. - induzir essa centelha, diretamente, ou por meio de relatos de exemplos significativos e compatíveis com a realidade do aprendiz.
O segundo fator mais importante são os materiais didáticos. Esses materiais devem ser auto-explicativos, concisos, dotados de bons exemplos práticos e conter exercícios com grau crescente de complexidade, com a indicação de um caminho seguro para se chegar aos resultados, caso se tratem de problemas bem estruturados. Após aprender a lidar com situações estruturadas, deve-se preparar o aprendiz para extrair os conteúdos relevantes de qualquer situação, ainda que mal estruturada.
Quanto ao terceiro fator, a realização de experimentos, ele tem sido associado à existência de laboratórios caríssimos, mas isso não é necessário. Muitos experimentos de alto impacto podem ser realizados com materiais simples, em sala de aula ou em casa. Os norte-americanos, por exemplo, transformaram as garagens de suas casas em laboratórios no final do século XIX e início do século XX. Thomas Edison e Ford são os exemplos mais citados. O prêmio Nobel de Física Richard Feynman fez os seus experimentos básicos em eletrodinâmica brincando com pratos. A cozinha é um excelente laboratório.
A experiência japonesa de formação do trabalhador que aprende é uma das mais citadas e respeitadas. Por meio de uma versão estruturada e simples ao método científico, faz-se com que trabalhadores comuns ajam como cientistas e engenheiros em suas fábricas. Eles são preparados, num primeiro momento, por meio de simulações em sala de aula, usando materiais corriqueiros e de baixo custo. A partir dos experimentos realizados, os trabalhadores podem entender melhor a fábrica e, assim, diminuir os riscos associados aos experimentos sob condições reais. O Brasil tem aprendido a respeito, mas precisa adotar em massa as experiências bem-sucedidas de suas empresas e escolas.
É necessário fazer um grande esforço para mudar a cultura de passividade reinante, alimentada pelo sistema educacional atual, e avançar na formação do cidadão autodidata. Quanto às pessoas de alta maturidade, é preciso fazer com que ajudem às demais, num ambiente de aprendizagem colaborativa. O Brasil precisa, em benefício de todos, acelerar o processo de realização do potencial de sua gente!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
O empreendedorismo ao alcance de todos
Na sua acepção mais universal, o termo empreender refere-se a “tomar a iniciativa e manter a ação para realizar a tarefa que se tem pela frente”. Sob essa perspectiva, pode-se empreender em qualquer situação que permita ou exija iniciativa. A base para isso está na aquisição de atitudes e hábitos fundamentais de organização, disciplina, persistência e coragem, entre outros.
Segundo a acepção acima, posso dizer que minha mãe foi uma grande empreendedora do cotidiano, embora ela nunca tivesse se envolvido com negócios. Diante das maiores dificuldades, ela sempre buscava e encontrava uma solução satisfatória. Deu suporte aos seus pais na criação de uma família numerosa, fazendo o trabalho pesado da fazenda e, assim, preparando-se para empreender sua própria família numa situação que exigia trabalho árduo. Durante uma crise existencial profunda vivida pelo meu pai, que se entregou ao alcoolismo, ela garantiu a sobrevivência da família. Buscou lenha no mato, lavou roupa para fora, colheu folhas e raízes e manteve sempre uma horta para completar a dieta alimentar dos filhos. Ela guardava de memória muitas receitas de coisas gostosas. De vez em quando, inventava variações e até novas receitas que nos surpreendia. Como empreendedora do cotidiano, ela impediu que a família sucumbisse.
Ajudei a promover a carreira de uma pessoa inteligente, mas que vivia em ambiente de passividade na infância. Ela morava na zona rural e estudou em escola pública considerada fraca; mesmo assim, ativei-lhe o interesse, com o respectivo apoio mínimo necessário. Sua evolução foi plenamente satisfatória. Ela fez curso técnico no CEFET e engenharia civil na UFMG, tendo estagiado em várias empresas, boas e ruins e, com isso, decidido o tipo de profissional que desejava ser para alcançar os seus objetivos. Tendo feito uma excelente rede de relações pessoais, terminou o seu curso de engenharia com emprego garantido numa multinacional, por indicação de um gerente que o conheceu num curso extra-curricular. Dois anos após formado já assessorava a diretoria de uma empresa japonesa na implantar um projeto de expansão no Brasil. Ela soube aproveitar a ajuda que teve, empreendendo a sua carreira a partir de uma situação difícil. Sua receita para quem deseja aprender com ele é: “estudar cálculo para aprender a pensar, fazer uma rede de relações sociais e pular como pipoca para dar conta do recado”.
Há um ditado que diz que, “para correr, é preciso aprender a andar”. Há outro, segundo o qual “uma viagem de milhares de quilômetros começa sempre com o primeiro passo”. Portanto, aprender a trabalhar bem pode ser uma grande estratégia para se empreender qualquer coisa. Um negócio é um experimento e, como tal, exige um período de aprendizagem das técnicas básicas, além da evolução dos experimentos mais simples para os mais complexos. Fazer pequenos negócios, desde cedo, pode ser a base para se fazerem grandes negócios no futuro. Contudo, o mais importante é aprender a conduzir com responsabilidade qualquer tipo de atividade e, assim, adquirir as qualidades necessárias para, se for conveniente, criar o próprio negócio. Algumas pessoas investem tudo que têm num experimento único e mal planejado, perdendo todos os seus recursos e esforços. Esse tipo de fracasso pode e deve ser minimizado; porém, caso ocorra, não pode ser motivo para desistência. Umas das características do empreendedor é exatamente “aprender com o fracasso”, correndo riscos calculados numa evolução programada de graus de empreendedorismo.
Segundo a acepção acima, posso dizer que minha mãe foi uma grande empreendedora do cotidiano, embora ela nunca tivesse se envolvido com negócios. Diante das maiores dificuldades, ela sempre buscava e encontrava uma solução satisfatória. Deu suporte aos seus pais na criação de uma família numerosa, fazendo o trabalho pesado da fazenda e, assim, preparando-se para empreender sua própria família numa situação que exigia trabalho árduo. Durante uma crise existencial profunda vivida pelo meu pai, que se entregou ao alcoolismo, ela garantiu a sobrevivência da família. Buscou lenha no mato, lavou roupa para fora, colheu folhas e raízes e manteve sempre uma horta para completar a dieta alimentar dos filhos. Ela guardava de memória muitas receitas de coisas gostosas. De vez em quando, inventava variações e até novas receitas que nos surpreendia. Como empreendedora do cotidiano, ela impediu que a família sucumbisse.
Ajudei a promover a carreira de uma pessoa inteligente, mas que vivia em ambiente de passividade na infância. Ela morava na zona rural e estudou em escola pública considerada fraca; mesmo assim, ativei-lhe o interesse, com o respectivo apoio mínimo necessário. Sua evolução foi plenamente satisfatória. Ela fez curso técnico no CEFET e engenharia civil na UFMG, tendo estagiado em várias empresas, boas e ruins e, com isso, decidido o tipo de profissional que desejava ser para alcançar os seus objetivos. Tendo feito uma excelente rede de relações pessoais, terminou o seu curso de engenharia com emprego garantido numa multinacional, por indicação de um gerente que o conheceu num curso extra-curricular. Dois anos após formado já assessorava a diretoria de uma empresa japonesa na implantar um projeto de expansão no Brasil. Ela soube aproveitar a ajuda que teve, empreendendo a sua carreira a partir de uma situação difícil. Sua receita para quem deseja aprender com ele é: “estudar cálculo para aprender a pensar, fazer uma rede de relações sociais e pular como pipoca para dar conta do recado”.
Há um ditado que diz que, “para correr, é preciso aprender a andar”. Há outro, segundo o qual “uma viagem de milhares de quilômetros começa sempre com o primeiro passo”. Portanto, aprender a trabalhar bem pode ser uma grande estratégia para se empreender qualquer coisa. Um negócio é um experimento e, como tal, exige um período de aprendizagem das técnicas básicas, além da evolução dos experimentos mais simples para os mais complexos. Fazer pequenos negócios, desde cedo, pode ser a base para se fazerem grandes negócios no futuro. Contudo, o mais importante é aprender a conduzir com responsabilidade qualquer tipo de atividade e, assim, adquirir as qualidades necessárias para, se for conveniente, criar o próprio negócio. Algumas pessoas investem tudo que têm num experimento único e mal planejado, perdendo todos os seus recursos e esforços. Esse tipo de fracasso pode e deve ser minimizado; porém, caso ocorra, não pode ser motivo para desistência. Umas das características do empreendedor é exatamente “aprender com o fracasso”, correndo riscos calculados numa evolução programada de graus de empreendedorismo.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Identidade
Todo ser humano precisa de identidade, própria ou tomada emprestada. Se própria, ele pode viver sozinho, se necessário, pois sabe quem é e para onde vai, ou pelo menos acredita nisso. Se emprestada, ele depende do grupo de uma forma mais intensa, o que pode torná-lo refém de erros e manipulações. Em geral a identidade própria combina-se com a identidade do grupo para dar ao homem um sentido para sua vida, um sentimento de que vale a pena viver e desenvolver as suas potencialidades.
A identidade, conforme pensada no plano corporativo, mas também válida para o indivíduo, é composta de missão, visão de futuro e valores. A missão refere-se ao objetivo qualitativo permanente assumido. A visão de futuro trata de um objetivo a ser alcançado num tempo previsível, podendo coincidir com a missão quando o tempo considerado for deixado em aberto. Os valores são os referenciais para a conduta, no plano qualitativo, expressando orientações para momentos de decisão críticos.
Uma declaração de identidade exige que se tenha, primeiro, vivido o que se declara ser, além de indicar aquilo que se pretende continuar sendo. Ela entrará em choque com a realidade, que poderá confirmá-la ou desmenti-la. Daí a necessidade de reflexão profunda antes de explicitá-la. Não havendo essa reflexão, melhor seria ‘ir levando’ até que se adquira maturidade suficiente, antes de declarar uma identidade falsa ou irrefletida. Contudo, ainda que não se a declare, ela está sendo observada o tempo todo pelo público próximo.
Certo empresário, após completar 45 anos de uma carreira considerada por todos como bem sucedida, resolveu estudar filosofia e outras ciências humanas. Concluiu que vivera uma identidade que valia a pena ser explicitada para facilitar o diálogo com os seus colaboradores. Ao explicitá-la, tirou o foco sobre si mesmo e colocou-a na sua empresa como serva da humanidade e do seu país. Consolidou uma missão, visão de futuro e valores universais, no seu caso alimentados por sua formação pessoal centrada em valores religiosos expressos na forma secular equivalente. Segundo esse empresário – o japonês Matsushita -, seu diálogo ficou mais fácil, tendo sido possível redirecionar o potencial humano corporativo para fins nobres compartilhados.
No plano individual, uma identidade nobre, expressa de forma genérica, poderia alimentar identidades particulares nobres, expressas com palavras apropriadas a cada indivíduo. Uma missão genérica poderia ser, por exemplo: “servir à Humanidade”. Uma visão de futuro poderia ser: “obter o reconhecimento do público pelo serviço realizado”. Os valores, expressos numa forma mais genérica possível, poderiam ser: “competência, integridade e solidariedade”. Essa proposta, embora deixe em aberto as palavras a serem usadas, trata-se de uma visão humanista compatível com o cristianismo.
Numa sociedade permeada pelos valores cristãos, espera-se que os líderes sejam servidores. Que o reconhecimento capaz de justificar a ação não venha somente do público mas, sobretudo, de uma consciência tranqüila pela realização do próprio dever. Sabe-se, ainda, que a ação deve ser, em primeiro lugar, competente, além de íntegra e solidária. Mas essa postura é compatível com qualquer filosofia ou religião que seja favorável à vida digna e abundante para todos.
Assumir e portar-se com esse tipo de identidade torna-se um ideal, e a própria justificativa de se viver num mundo que parece caótico e sem significado. No processo de construção dessa identidade, conforme acredito, manifesta-se a lei do amor universal e, portanto, o alinhamento com o Espírito Absoluto.
A identidade, conforme pensada no plano corporativo, mas também válida para o indivíduo, é composta de missão, visão de futuro e valores. A missão refere-se ao objetivo qualitativo permanente assumido. A visão de futuro trata de um objetivo a ser alcançado num tempo previsível, podendo coincidir com a missão quando o tempo considerado for deixado em aberto. Os valores são os referenciais para a conduta, no plano qualitativo, expressando orientações para momentos de decisão críticos.
Uma declaração de identidade exige que se tenha, primeiro, vivido o que se declara ser, além de indicar aquilo que se pretende continuar sendo. Ela entrará em choque com a realidade, que poderá confirmá-la ou desmenti-la. Daí a necessidade de reflexão profunda antes de explicitá-la. Não havendo essa reflexão, melhor seria ‘ir levando’ até que se adquira maturidade suficiente, antes de declarar uma identidade falsa ou irrefletida. Contudo, ainda que não se a declare, ela está sendo observada o tempo todo pelo público próximo.
Certo empresário, após completar 45 anos de uma carreira considerada por todos como bem sucedida, resolveu estudar filosofia e outras ciências humanas. Concluiu que vivera uma identidade que valia a pena ser explicitada para facilitar o diálogo com os seus colaboradores. Ao explicitá-la, tirou o foco sobre si mesmo e colocou-a na sua empresa como serva da humanidade e do seu país. Consolidou uma missão, visão de futuro e valores universais, no seu caso alimentados por sua formação pessoal centrada em valores religiosos expressos na forma secular equivalente. Segundo esse empresário – o japonês Matsushita -, seu diálogo ficou mais fácil, tendo sido possível redirecionar o potencial humano corporativo para fins nobres compartilhados.
No plano individual, uma identidade nobre, expressa de forma genérica, poderia alimentar identidades particulares nobres, expressas com palavras apropriadas a cada indivíduo. Uma missão genérica poderia ser, por exemplo: “servir à Humanidade”. Uma visão de futuro poderia ser: “obter o reconhecimento do público pelo serviço realizado”. Os valores, expressos numa forma mais genérica possível, poderiam ser: “competência, integridade e solidariedade”. Essa proposta, embora deixe em aberto as palavras a serem usadas, trata-se de uma visão humanista compatível com o cristianismo.
Numa sociedade permeada pelos valores cristãos, espera-se que os líderes sejam servidores. Que o reconhecimento capaz de justificar a ação não venha somente do público mas, sobretudo, de uma consciência tranqüila pela realização do próprio dever. Sabe-se, ainda, que a ação deve ser, em primeiro lugar, competente, além de íntegra e solidária. Mas essa postura é compatível com qualquer filosofia ou religião que seja favorável à vida digna e abundante para todos.
Assumir e portar-se com esse tipo de identidade torna-se um ideal, e a própria justificativa de se viver num mundo que parece caótico e sem significado. No processo de construção dessa identidade, conforme acredito, manifesta-se a lei do amor universal e, portanto, o alinhamento com o Espírito Absoluto.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Simples, óbvio e difícil
Alguém já disse que “é óbvio, mas só para os sábios, que ser simples é a coisa mais difícil do mundo”. Outro sábio disse que “Tudo que é profundo é, em princípio, simples; mas, não é óbvio nem fácil”.
É muito difícil para o homem construir armas de alto poder destrutivo. É muito simples acionar os mecanismos de detonação dessas armas. Contudo, aquilo que parece mais simples – conhecer o próprio homem -, é muito difícil e, embora seja óbvio que isso é muito importante, quase ninguém o percebe. E assim caminha-se pela vida afora, desprezando-se o que é simples, não enxergando o óbvio e valorizando o que é difícil, embora o resultado final possa ser previsível de forma simples e óbvia: o desastre.
Frederick Taylor foi um engenheiro mecânico formado numa escala ruim, noturna, pois precisava trabalhar para sobreviver. Ele enxergou e praticou o óbvio – a organização racional da fábrica – e, com isso, fez a revolução da produtividade no início do século XX. Ele propôs que se pesquisasse a forma correta de trabalhar, se produzissem padrões simples e se treinassem todos os empregados para que pudessem fazer certo da primeira vez. Taylor, que também sabia produzir coisas complexas, teve de enfrentar a resistência dos operários e dos patrões para colocar em prática o simples e o óbvio.
Para enfatizar o fato de que Taylor era capaz de lidar com assuntos complexos, ressalte-se que ele teve de superar o conhecimento matemático da época para elaborar um modelo de corte de metais, o que exigiu que se inventasse a régua de cálculo. Ele levou cerca de 15 anos para dar conta do recado, mobilizando as melhores mentes que estavam ao seu alcance, nas melhores universidades americanas, incluindo Harvard. Ao final da pesquisa tudo ficou simples, e óbvio. Difícil mesmo continuou sendo convencer padrões e empregados de que tinham algum interesse em comum, e que deveriam lutar juntos pela aumento da produtividade, compartilhando os resultados com a sociedade.
Einstein resolveu um problema muito difícil, chegando a um modelo matemático simples sobre a relação entre matéria e energia. Esse modelo foi descoberto após muito esforço, pois não era óbvio. Entretanto, tornou-se óbvio que isso poderia ser usado para conservar ou destruir a vida. E o próprio Einstein, apreensivo de que Hitler se apossasse do segredo para escravizar e destruir, incentivou que um país livre tomasse posse dele primeiro, o que levou ao seu uso efetivo contra o Japão. Apertar o botão da bomba atômica foi simples. Difícil continua sendo convencer o ser humano de que os seus poderes mentais deveriam ser usados para enriquecer a vida e não para destruí-la.
Certa escola de alto prestígio tem um curso de engenharia muito difícil. Os alunos desse curso são vistos como zumbis que se dedicam dia e noite a estudar, o que os impede de viver. Muitos deles, após terminar o curso, passam a detestar engenharia. Alguns passam a descontar no próximo a frustração que desenvolveram, impondo a todos a maneira mais difícil de fazer qualquer coisa simples como sendo, obviamente, a mais digna da inteligência humana. Às vezes conseguem criar discípulos zumbis.
E assim caminha a vida, fazendo evoluir a tecnologia que facilita tudo e, ao mesmo tempo, escraviza o homem como alimentador de máquinas velozes. Como já disse alguém, o óbvio não ulula mais como antigamente, e o ser humano, cada vez mais inteligente, torna-se cada vez menos sábio, desprezando o simples para sentir-se importante com a sensação de dominar as coisas mais difíceis para, tornando-as simples, aumentar o poder de destruição da vida. É óbvio que isso é coisa de malucos!
É muito difícil para o homem construir armas de alto poder destrutivo. É muito simples acionar os mecanismos de detonação dessas armas. Contudo, aquilo que parece mais simples – conhecer o próprio homem -, é muito difícil e, embora seja óbvio que isso é muito importante, quase ninguém o percebe. E assim caminha-se pela vida afora, desprezando-se o que é simples, não enxergando o óbvio e valorizando o que é difícil, embora o resultado final possa ser previsível de forma simples e óbvia: o desastre.
Frederick Taylor foi um engenheiro mecânico formado numa escala ruim, noturna, pois precisava trabalhar para sobreviver. Ele enxergou e praticou o óbvio – a organização racional da fábrica – e, com isso, fez a revolução da produtividade no início do século XX. Ele propôs que se pesquisasse a forma correta de trabalhar, se produzissem padrões simples e se treinassem todos os empregados para que pudessem fazer certo da primeira vez. Taylor, que também sabia produzir coisas complexas, teve de enfrentar a resistência dos operários e dos patrões para colocar em prática o simples e o óbvio.
Para enfatizar o fato de que Taylor era capaz de lidar com assuntos complexos, ressalte-se que ele teve de superar o conhecimento matemático da época para elaborar um modelo de corte de metais, o que exigiu que se inventasse a régua de cálculo. Ele levou cerca de 15 anos para dar conta do recado, mobilizando as melhores mentes que estavam ao seu alcance, nas melhores universidades americanas, incluindo Harvard. Ao final da pesquisa tudo ficou simples, e óbvio. Difícil mesmo continuou sendo convencer padrões e empregados de que tinham algum interesse em comum, e que deveriam lutar juntos pela aumento da produtividade, compartilhando os resultados com a sociedade.
Einstein resolveu um problema muito difícil, chegando a um modelo matemático simples sobre a relação entre matéria e energia. Esse modelo foi descoberto após muito esforço, pois não era óbvio. Entretanto, tornou-se óbvio que isso poderia ser usado para conservar ou destruir a vida. E o próprio Einstein, apreensivo de que Hitler se apossasse do segredo para escravizar e destruir, incentivou que um país livre tomasse posse dele primeiro, o que levou ao seu uso efetivo contra o Japão. Apertar o botão da bomba atômica foi simples. Difícil continua sendo convencer o ser humano de que os seus poderes mentais deveriam ser usados para enriquecer a vida e não para destruí-la.
Certa escola de alto prestígio tem um curso de engenharia muito difícil. Os alunos desse curso são vistos como zumbis que se dedicam dia e noite a estudar, o que os impede de viver. Muitos deles, após terminar o curso, passam a detestar engenharia. Alguns passam a descontar no próximo a frustração que desenvolveram, impondo a todos a maneira mais difícil de fazer qualquer coisa simples como sendo, obviamente, a mais digna da inteligência humana. Às vezes conseguem criar discípulos zumbis.
E assim caminha a vida, fazendo evoluir a tecnologia que facilita tudo e, ao mesmo tempo, escraviza o homem como alimentador de máquinas velozes. Como já disse alguém, o óbvio não ulula mais como antigamente, e o ser humano, cada vez mais inteligente, torna-se cada vez menos sábio, desprezando o simples para sentir-se importante com a sensação de dominar as coisas mais difíceis para, tornando-as simples, aumentar o poder de destruição da vida. É óbvio que isso é coisa de malucos!
quinta-feira, 25 de junho de 2009
A revolução do bom senso
Considerável energia tem sido dedicada a compreender os grandes paradoxos da civilização: caos e ordem, ignorância e conhecimento, miséria e riqueza, servidão e liberdade, entre outros. Porém, os resultados mais significativos para melhorar a vida têm sido conseguidos pela combinação de reflexão e ação para eliminar os pequenos problemas do dia-a-dia. O fundamento necessário não é nem o famoso método científico, nem o perigoso senso comum, mas o bom senso.
O bom senso, segundo nosso amigo Aurélio, significa a "aplicação correta da razão para julgar ou raciocinar em cada caso particular da vida". Pela definição, vê-se que sua prática exige muita experiência e reflexão, embora o conceito seja simples e não dependa de teorias sofisticadas. Essa revolução tem sido ensaiada por muitas organizações públicas e privadas e, até mesmo, por cidades inteiras, estando presente em qualquer movimento que mobiliza o potencial humano para: ordenar o caos, manter a cidade limpa, dar boa utilização aos recursos materiais e humanos, criar consciência ecológica, educar o povo para a saúde preventiva e despertar o amor ao conhecimento.
O movimento que tem mobilizado as organizações humanas no Brasil para essa revolução tem sido articulado com o nome de 5S, ou seja, os cinco (bons) sensos de: utilização, ordenação, limpeza, saúde e autodisciplina. Poderíamos, para efeito mnemônico, dar-lhe o nome alternativo de UOLSA. Os resultados conseguidos até o momento são muito significativos, e têm sido amplamente reconhecidos: melhoria das condições de trabalho e das relações humanas; exercício da criatividade; combate ao desperdício; diminuição de custos e organização de empresas para a implantação de sistemas obrigatórios e voluntários de: controle da qualidade, segurança do trabalho, saúde ocupacional e proteção ambiental.
UTILIZAR bem os recursos materiais e humanos, suprindo carências onde elas existam e eliminando os excessos onde se manifestem, é um imperativo categórico da vida civilizada. No plano nacional, implica estancar os desvios intencionais de recursos públicos, bem como as perdas por gerenciamento ineficiente. A inteligência de todos e cada centavo disponível devem ser aplicados para banir a miséria deste País, tornando-o justo e seguro para nossos filhos e netos.
ORDENAR o caos, que gera improdutividade nas organizações e má qualidade de vida para o cidadão, é uma necessidade inadiável. O caos que nos atormenta reflete-se imediatamente nas péssimas condições de trabalho; na falta de fluxos otimizados nos sistemas de produção; na ausência de comunicação visual adequada nas vias públicas; nos sistemas de informações pré-históricos dos órgãos públicos; nas filas nos bancos, entre outros aspectos negativos.
LIMPAR e higienizar é necessário para a conservação do patrimônio físico, além de criar a necessária assepsia para a saúde. A reincidência de doenças decorrentes da falta de higiene deve servir-nos de alerta. A limpeza de equipamentos e bens materiais significa conservação de recursos, enquanto a higiene pessoal gera saúde e bem-estar; no aspecto ambiental, significa comportamento ecológico; no trabalho, significa fazer bem feito; nas relações humanas, significa eliminar os ruídos da comunicação e estabelecer o apego ao relacionamento honesto. Aqueles que querem levar vantagem em tudo são fonte de sujeira social.
SAÚDE física e mental é condição indispensável para uma eventual felicidade na Terra. Utilização, ordenação e limpeza/higiene são a base da saúde e da apreciação estética. Além disso, a criação de hábitos saudáveis de vida, seguindo as melhores práticas aprovadas pela tradição e recomendadas pelos especialistas, é uma necessidade urgente para todos. Não podemos nos esquecer de que a conquista da saúde, em sentido pleno, passa pela reflexão mais abrangente e de longo prazo sobre a civilização doentia em que vivemos, que induz ao consumo destrutivo e à vida tóxica.
AUTODISCIPLINA é o objetivo maior da educação integral. Ela tem a ver com o desenvolvimento do autocontrole, da ética da responsabilidade e da cidadania a partir de ações práticas em relação à utlização, ordenação, limpeza/higiene e saúde. O crescimento em autodisciplina implica fazer fluir o desenvolvimento humano como um todo, tornando-se perene pela alternância entre a aprendizagem, a execução e a inovação.
Monitorando-se o processo para que os desafios lançados não estejam muito acima da habilidade da pessoa ou do grupo, nem muito abaixo, evitam-se tanto a ansiedade quanto o tédio paralisadores da ação e criadores de estresse indesejável. Desta forma, será possível fazer fluir o potencial instalado pelo movimento de potencialização e realização do potencial humano, com a devida inserção de momentos de reenergização e apreciação estética.
As palavras-chave para a efetivação do movimento gravitam em torno de: liderança, mobilização, diálogo, criatividade, respeito pelo outro, reflexão e ação. A sua prática tem demonstrado que, entre a contemplação filosófica inoperante e a ação destituída de reflexão, existe uma terceira opção: integrar pensamento, sentimento e ação na construção democrática permanente de melhores condições de trabalho e de vida, por mais precárias que sejam as condições iniciais.
* João Martins da Silva, professor-adjunto da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), autor do livro "O Ambiente da Qualidade na Prática - 5S"
O bom senso, segundo nosso amigo Aurélio, significa a "aplicação correta da razão para julgar ou raciocinar em cada caso particular da vida". Pela definição, vê-se que sua prática exige muita experiência e reflexão, embora o conceito seja simples e não dependa de teorias sofisticadas. Essa revolução tem sido ensaiada por muitas organizações públicas e privadas e, até mesmo, por cidades inteiras, estando presente em qualquer movimento que mobiliza o potencial humano para: ordenar o caos, manter a cidade limpa, dar boa utilização aos recursos materiais e humanos, criar consciência ecológica, educar o povo para a saúde preventiva e despertar o amor ao conhecimento.
O movimento que tem mobilizado as organizações humanas no Brasil para essa revolução tem sido articulado com o nome de 5S, ou seja, os cinco (bons) sensos de: utilização, ordenação, limpeza, saúde e autodisciplina. Poderíamos, para efeito mnemônico, dar-lhe o nome alternativo de UOLSA. Os resultados conseguidos até o momento são muito significativos, e têm sido amplamente reconhecidos: melhoria das condições de trabalho e das relações humanas; exercício da criatividade; combate ao desperdício; diminuição de custos e organização de empresas para a implantação de sistemas obrigatórios e voluntários de: controle da qualidade, segurança do trabalho, saúde ocupacional e proteção ambiental.
UTILIZAR bem os recursos materiais e humanos, suprindo carências onde elas existam e eliminando os excessos onde se manifestem, é um imperativo categórico da vida civilizada. No plano nacional, implica estancar os desvios intencionais de recursos públicos, bem como as perdas por gerenciamento ineficiente. A inteligência de todos e cada centavo disponível devem ser aplicados para banir a miséria deste País, tornando-o justo e seguro para nossos filhos e netos.
ORDENAR o caos, que gera improdutividade nas organizações e má qualidade de vida para o cidadão, é uma necessidade inadiável. O caos que nos atormenta reflete-se imediatamente nas péssimas condições de trabalho; na falta de fluxos otimizados nos sistemas de produção; na ausência de comunicação visual adequada nas vias públicas; nos sistemas de informações pré-históricos dos órgãos públicos; nas filas nos bancos, entre outros aspectos negativos.
LIMPAR e higienizar é necessário para a conservação do patrimônio físico, além de criar a necessária assepsia para a saúde. A reincidência de doenças decorrentes da falta de higiene deve servir-nos de alerta. A limpeza de equipamentos e bens materiais significa conservação de recursos, enquanto a higiene pessoal gera saúde e bem-estar; no aspecto ambiental, significa comportamento ecológico; no trabalho, significa fazer bem feito; nas relações humanas, significa eliminar os ruídos da comunicação e estabelecer o apego ao relacionamento honesto. Aqueles que querem levar vantagem em tudo são fonte de sujeira social.
SAÚDE física e mental é condição indispensável para uma eventual felicidade na Terra. Utilização, ordenação e limpeza/higiene são a base da saúde e da apreciação estética. Além disso, a criação de hábitos saudáveis de vida, seguindo as melhores práticas aprovadas pela tradição e recomendadas pelos especialistas, é uma necessidade urgente para todos. Não podemos nos esquecer de que a conquista da saúde, em sentido pleno, passa pela reflexão mais abrangente e de longo prazo sobre a civilização doentia em que vivemos, que induz ao consumo destrutivo e à vida tóxica.
AUTODISCIPLINA é o objetivo maior da educação integral. Ela tem a ver com o desenvolvimento do autocontrole, da ética da responsabilidade e da cidadania a partir de ações práticas em relação à utlização, ordenação, limpeza/higiene e saúde. O crescimento em autodisciplina implica fazer fluir o desenvolvimento humano como um todo, tornando-se perene pela alternância entre a aprendizagem, a execução e a inovação.
Monitorando-se o processo para que os desafios lançados não estejam muito acima da habilidade da pessoa ou do grupo, nem muito abaixo, evitam-se tanto a ansiedade quanto o tédio paralisadores da ação e criadores de estresse indesejável. Desta forma, será possível fazer fluir o potencial instalado pelo movimento de potencialização e realização do potencial humano, com a devida inserção de momentos de reenergização e apreciação estética.
As palavras-chave para a efetivação do movimento gravitam em torno de: liderança, mobilização, diálogo, criatividade, respeito pelo outro, reflexão e ação. A sua prática tem demonstrado que, entre a contemplação filosófica inoperante e a ação destituída de reflexão, existe uma terceira opção: integrar pensamento, sentimento e ação na construção democrática permanente de melhores condições de trabalho e de vida, por mais precárias que sejam as condições iniciais.
* João Martins da Silva, professor-adjunto da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), autor do livro "O Ambiente da Qualidade na Prática - 5S"
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